quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Baby

"As garotas não brincam mais de roda"
Foto: Fábio Melo
Sim, eu poderia abrir a portas que dão pra dentro, percorrer correndo os corredores de um Chico héroi dos bons tempos e mergulhar no leito escuro de nó cego e faca amolada, enquanto no clube da esquina o importante era viver e não ter a vergonha de ser feliz, para cantar, cantar e cantar. Bye.

Viver a Cena é...

O Viver a Cena é nossa resposta ao que se produzia culturalmente no nosso entorno.Quando a estrela da época era a televisão... Situação que hoje parece algo banal, lá pela década de 70, era um luxo tê-la. Mesmo assim, não era dificil assistir aquele notíciario ou acompanhar alguma novela. Pois, era possível a qualquer cidadão acompanhar toda programação televisiva num aparelho instalado na praça de um bairro da periferia da cidade ou esperar o convite de bom vizinho para assistir a tv e manter em dia as discussões sobre tal notícia ou capítulo passado. Com a ascensão da mídia como principal instrumento de difusão da informação e entretenimento, vimos aumentar a popularidade de novos talentos nacionais oriundos da decada de 60 com a Jovem Guarda; o surgimento do movimento Hippie; a propagação das músicas eletronicas nas discotecas; o restabelecimento das nossas Instituições democráticas com a abertura política, a campanha para eleições diretas, as novelas dentre tantas outras boas coisas.
A televisão realmente pautava o dia a dia do povo brasileiro: paulistas, cariocas, capixabas,baianos, pernambucanos...Tinhamos a sensação de que os acontecimentos estavam ocorrendo na esquina ao lado. As noticias trafegavam rapidamente até a sala de casa. Ainda lembro, o quanto parecia estranho ver minhas vizinhas acompanhando as novelas da TV Tupi e vê-las beijando a telinha quando algum galã como Francisco Cuoco ou Tarcisio Meira apareciam. São recordações muito divertidas que guardo com muito carinho; recordações como estas que revelam o grau de importancia e intimidade que mantinhamos com a mídia. E deste modo, Pindorama não era tão grande assim. O mundo inteiro em nossa sala de estar após girar um botão...Estavamos um pouco mais distantes das metropoles promotoras dos modismos tão culpabilizados pela"padronização" dos costumes. Bons ou maus costumes. Não importa! Porque o legal disto tudo é lembrarmos que sempre podemos mudar o canal ou mesmo desligar a telinha... Bem, podemos dissertar sobre a qualidade das produções televisivas, assim como, admitir também que muito daquilo que se produzia era de má qualidade. Contudo, deixemos nosso orgulho de lado e aceitemos o fato de que na tv por aqui NADA se produzia. Desculpem-me pela tamanha franqueza. É, tinhamos uma produção televisiva...Sim. Uma programação insossa feita de programas de auditório, algumas produções de teleteatro e programas infantis sem arroubo de criatividade. Ligavamos a tv e assistiamos a falta de expressividade das produções televisivas locais. Eis a veneza brasileira, que "tecida de claridade sonha ao luar" porque é "lendária e heróica plantada à beira do mar".  É, plantados realmente ficamos..."Meu Bairro é o Maior"! Que programação! As estrelas do céu são imortais testemunhas daquilo que vos falo. Que poesia! Em Pernambuco imortal  assistiamos, já naquela época, o delírio grandiloquente de um coronel que futucava o proprio umbigo pra tirar a sujeira de um banho mal tomado; que esbravejava e delirava (ainda esbraveja e delira) com suas próprias idéias estapafurdias sobre cultura erudita  e popular. Que filósofo! Bravos guerreiros da cultura; é antiga e capenga tua vontade de emancipação da "colonia". Bem sabemos que a riqueza do nosso "povo" hoje, esta resumida num megalomaniaco espetáculo amadoristico. A telinha reflete o mundo a nossa volta. Bravo! Bravo! Bravo! Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
É... Na década de 80, surgimos em meio a tudo isto. Surgimos num Recife que era considerado o terceiro polo teatral do país. Uma cidade que não mudou muito. Um país que repete os mesmo erros. Apenas mudaram os atores. Os personagens são os mesmos. Mas, o que se pode dizer sobre uma cidade que durante bom tempo teve como principal representante teatral um grupo cuja alcunha esta escrito "Amadores", ainda que eles não sejam totalmente amadores...
Pra nossa sorte, o teatro é magia e não criação de um homem solitário; é um sistema simbólico fundamentado e construido a partir das  crenças coletivas. Que não tem nada de místico e que comporta o catalogo completo das relações inter-humanas. Isto é, toda uma coleção de papéis, onde a fala, as idéias, os objetos, os gestos são ações virtualmente violentas que colocam outrem diante de um fato realizado o qual se exige o seu reconhecimento. O teatro produzido pelo Viver a Cena é real. É feito precisamente da amizade e o amor que une diversas pessoas pela arte; pessoas amigas despidas de vaidades ou de soberba.
Este é o meu começo pra falar sobre o Viver a Cena e sua honesta trajetória no contexto histórico local. E o seu credito está relacionado a sua postura crítica desvinculada de "escolas","teorias" etc.  Um grupo teatral construido e instruido por si mesmo.  Um lugar onde a expressão materializa um percurso proprio para o fazer artistico. O Viver a Cena é muito mais que a minha pessoa, Jorge, Jacyara, Edmilson, Romulo. Ele é um pouco de todos aqueles que passaram, como também, será um pouco daqueles que virão. O Viver a Cena é... Ufa! Cansei! Continuarei mais tarde. Afinal, todos podemos ter ao menos
uma vez algum delírio de grandeza...
Alx Troccoli

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

De passagem

Passei por aqui só por passar, rápido, sem tempo, quase sem poder ficar, com vontade apenas de visitar, de ver, olhar, saber se posso sorrir, se posso deixar alguma marca de memoria, pois pretendo deixar tantas, e vou tentar. A passagem é breve, mas o tempo eterniza-se e minha verdadeira intenção e que você grave cada momento que vou lembrando, que participe dele, que deixe aqui sua memória também. Fui.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um Ponto de Partida II

Apesar de ter dirigido eu não assinei a direção de Um Ponto de Partida, deixei para o assistente, Arlindo Matias, ele tinha se empenhado muito, e eu, por minha vez, tinha texto na peça, atuava, produzia... Enfim, naquele tempo, as pessoas, principalmente da imprensa,achavam pretensão e eu temia ser pretencioso, vaidoso e ambicioso, puro reflexo da minha educação cristã. Mas tinha Gigi Espoleta, A Louca Incrivel e Maravilhosa Mulher Que Andou nua Pelas Ruas, era meu xodó, escrevi para Rita Vianna e inscrevemos no I TEBO, de Enéas Alvarez, grande mestre, tinha Edilson Pereira, com pinta de galã e Arlindo Matias,muito versátil, no elenco, preferi assinar este trabvalho, os dois,praticamente, são do mesmo tempo. Pois é, Gigi fez história e Um Ponto de Partida ficou na nossa memória, bons tempos.
Jorge de Souza.